terça-feira, 4 de março de 2014

Fotografar-te-ei o sorriso grandioso e o olhar fascinante para poder visualiza-lo todas as vezes que me for oportuno. Escrever-te-ei o teu nome na areia para o oceano decorar o teor da tua linhagem e os gatafunhos da minha caligrafia. Narrar-te-ei à natureza, ao mistério e ao abismo. Encontrar-te-ei nas margens dos livros e na foz do rio Tejo. Falar-te-ei de amor, ternura e dedicação. Mostrar-te-ei em mim os pequenos detalhes que me fazem continuamente lembrar de ti.

segunda-feira, 3 de março de 2014

O cancro devia morrer. E com ele, morrer a dor, a angustia e o sofrimento. Devia sofrer como os doentes que, já sem forças, lutam pela vida que nunca virão desfrutar. O cancro devia sangrar até ficar pálido e extinguir-se como seria suposto. Devia sumir-se para os doentes, familiares dos pacientes e amigos dos já sem vida. O cancro devia morrer e matar a força da própria doença.

domingo, 2 de março de 2014

Gosto da simplicidade, da pureza e da lealdade. Gosto do branco da neve e do verde da natureza. Gosto do amargo, do ácido e do picante. Gosto da amizade, mas não tolero o amor. Gosto da verdade, da genialidade e da autenticidade. Gosto da melancolia, mas não aguento refugiar-me nela. Gosto do certo, do garantido e do apropriado. Gosto da casualidade, mas creio no destino. Gosto do silêncio, de segredos e enigmas. Gosto da pacificidade, da harmonia e de sossego.

sábado, 1 de março de 2014

A suavidade das fotografias em papel intriga-me. O papel liso, plano e gasto com o tempo transpõe uma realidade desumana e um impacto irrefutável, emitindo sorrisos, rostos e corpos turbulentos que transmitem felicidade e um cenário a cores. Um cenário límpido e feliz. Um cenário repleto de amabilidade, satisfação e simpatia. Ou então, um cenário a preto, difundindo a guerra e os conflitos. Os anos oitenta e tempos indeterminados. Em ambos os casos, a fibra continua limpa e afável. Sem um pingo de sangue ou uma gota de água. Sem lumes abrasadores ou balas mortíferas. 
A suavidade das fotografias em papel intriga-me. Não sofrem mudanças, nem características. São sempre lisas e planas.
Falar-te-ei de amor como quem fala de arroz. Como quem colhe flores e planta sementes. Falar-te-ei de amor como quem se queima sem fogo e se sufoca sem ar. Como quem toca no vento e metaforiza o oculto. Falar-te-ei de amor como quem reflecte sobre a vida. Como quem não sabe do que fala e desconhece o clandestino. Falar-te-ei de amor como quem vai a Paris. Como quem viaja sem malas e caminha sem mapas. Falar-te-ei de amor como quem toca uma sinfonia de Beethoven. Como quem produz musica sem instrumentos e canta sem acompanhamento. Falar-te-ei de amor como quem opera um paciente. Como quem salva um idoso e protege um filho. Falar-te-ei de amor como quem não sabe, mas sente.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

No meio dos meus vocábulos narrados, encontro-te abismado. Perdido no turbilhão de silabas e sons soltos e nos versos tristes e cansados oriundos de uma ortografia desleixada. Já não sei escrever para ti nem compor versos de amor e emoção. Já lá fora o tempo. O tempo de redigir cartas de amor. A caneta, a tinta e a cor. 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O amor não mata, mas engorda. A desilusão, a dor, o desapontamento e a mágoa alimentam o ego do sofrimento e aumentam a ferida que corrói o sangue. O amor não mata, mas queima. Incendeia os pulmões e carboniza o coração. O amor não mata, mas destrói. Derruba a felicidade e aniquila a euforia. O amor não mata, mas muda. Modifica a alma e bombardeia a valentia. O amor não mata, mas massacra.